Então Deus criou as gravadoras…

…e a partir daí todos os pobres mortais começaram a se acotovelar na porta destas enormes empresas, todos na esperança de uma mão estendida, um sinal, ou algo que pudesse colocá-las sob o raio de luz do main-stream. Aí com o passar do tempo essa criação foi ficando cada vez maior, até chegar ao ponto de começar fazer coisas que até Deus duvidava. Então Deus já meio puto com essa história toda, resolveu dar uma desencanada, curtir um pouco a vida, ou sei lá mais o que, e criou outro lance pra passar o tempo, criou a internet. Qual não foi a reação das gravadoras a essa criação? Demônios, capetas, hereges, maldição do século 20! Todos! Inclusive seus filhos myspace, facebook etc…

Com o passar do tempo as coisas mudaram, e mudaram muito. Essas antes gigantescas e intocáveis gravadoras começaram a ver o seu reinado ruir, perdendo assim terreno pra esses piratas malditos. Vamos processar, acabar com eles, destruir! Nada disso deu certo, pelo contrário, a guerra cada vez mais mostra que as gravadoras estão no fade out. O pirate bay, o mininova são sites de BitTorrent que estão entre os mais acessados de todo o mundo sabia? E o pior aconteceu, os artistas que antes pediam pela-mor-de-deus para entrar, agora estavam pedindo pela-mor-de-deus pra sair!

E hoje?

Bem, hoje as coisas ainda estão mudando, e os artistas ainda estão indo embora. Só pra vocês terem uma idéia, a banda Eagles criada lá no início dos anos 70, que nem é tão conhecida assim por aqui (mas que nos EUA são reis) fecharam um acordo com o Wal-Mart de venda direta de seu mais recente álbum o Road Out of Eden em suas prateleiras. Com o álbum anterior pela gravadora os caras tiveram uma arrecadação em royalties de 17 milhões de dólares. E com esse novo álbum que ainda vende por volta de 15.000 (QUINZE MIL!) unidades por semanna? Os caras ainda não divulgaram os números, apenas afirmaram que “nenhuma gravadora poderia dar royalties como os  que nós acertamos no nosso acordo direto com o Wall-Mart”. Imagina a grana que os caras estão levando heim?

Outro exemplo?

Radiohead, banda que todo mundo conhece agora por aqui por causa do hype todo causado ano passado por causa do álbum In Raybons, pra refrescar a memória, os caras colocaram esse disco no site pra neguinho poder baixar e pagar quanto quisesse, de 0 a quanto quisesse. As gravadoras cairam de pau, “não vai vender nada, vão quebrar a cara, vão se lascar”. Bem, o que aconteceu foi que segundo a ComScore (que é uma empresa de pesquisa na internet) levantou que a média paga pelo download foi de 6 dólares. (Alguém falou em 6 dólares? Alguem lá no Wall Mart levantou o braço e já avisou que se as gravadoras nao começarem a vender os CDs a menos de 10 dólares a casa vai cair!) E como se não bastasse o CD estreou na semana de lancamento em primeiro lugar na Billboard. Resultado, numa combinação de CDs e downloads a banda levantou 5 milhões de dólares em royalties, nada mau pra quem estava dando o disco de graça heim?  E o álbum anterior? Bem, o álbum de 2003  Hail to the Thief rendeu 2 milhões pra banda, álbum esse que saiu pela gravadora, auch 01!

Então você diz: Mais ai fica fácil, os caras sairam justamente agora? Depois que as gravadoras gastaram uma puta grana…

pra colocar os caras na mídia e fazendo os caras virarem megastars? Pois é, existem os dois lados, e é até por isso que as gravadoras estão entrando no ramo de shows, elas estão querendo entrar com uma grana pra levar uma fatia disso, que até então pertencia somente aos artistas. E os indie-não-famosos? Sim, aqui estão. Ghostland Observatory é uma dupla que já tem 3 CDs lançados de forma indie totalizando 50.000 cópias, você pode dizer que é pouco né? Mas os caras estão super satisfeitos com o lucro. Também tem a cantora Ingrid Michaelson que lançou seu primeiro álbum de forma indie também pelo seu próprio selo, o Cabin 24. Ela conseguiu fazer com que suas músicas tocassem durante a série Grey´s Anatomy. As gravadoras voaram pra cima dela e fizeram diversas ofertas, ela recusou todas: “Agora que aconteceu vocês correm atrás de mim? Não obrigada!” Auch 02!

Rádios piratas, coisa de bandido mesmo.

Na minha época de adolescente lá na virada dos anos 70 pros 80, eu ouvia rádio direto e adorava ficar esperando a hora em que aquela música tocasse no rádio para gravar no meu 3 em 1 Evadin. Quando conseguia encher uma fita, ficava ouvindo por horas, dias, semanas, até não aguentar mais. Lembro que naquela época fiquei sabendo que um cara lá perto de casa que já era um pouco mais velho e já trabalhava, vendia uns tapes K7 com músicas que não eram gravadas do rádio e portanto não estavam cortadas no começo e nem no fim. O cara comprava os discos de vinil e gravava os tapes pra vender, ele vendia muito pouco porque a molecada não tinha grana e no final ele acabou parando de tentar vender. O cara nem se ligava que já era um precursor no assunto pirataria. Logo depois começou rolar um papo que ele tinha montado uma rádio em casa pra tocar as músicas que ele gostava, toda a galera da vizinhança ouvia a rádio do cara depois que ele chegava do trabalho. Rádio numas né, era só um transmissorzinho fulêro plugado no som dele. Lembro que o cara era fuçador e não tinha muita grana, longe disso, ele trabalhava numa fábrica se não me engano na Moto Peças. Lembro claramente que a galera ficava esperando o cara voltar do trabalho pra ouvir a rádio que não tinha comerciais!

Era demais!

Logo depois lá fui eu tentar juntar uma graninha recolhendo lenha na padoca lá perto de casa pra comprar o meu transmissor também, e consegui. Assim entrava no ar a rádio Catacumba FM! Pura brincadeira de criança, nem microfone tinha, eu usava um fone de ouvido DAN como microfone. Não tinha também a menor intenção de fazer dinheiro com isso, e na verdade nem sabia que dava. Ilegal? Nem passava pela minha cabeça. O legal era zoar com alguém e todo mundo ouvir ao mesmo tempo! Ou saber que alguém da rua ouviu a música x na minha rádio que mal pegava no quarteirão.

O tempo passou e essa história de rádio pirata se transformou em um monstro de proporções inimagináveis pra mim na época. Hoje a rádio pirata é usada para os mais deversos fins ilícitos, como pra “pastor evangélico” pregar e arrecadar dinheiro pra “igreja” explorando o povão, pra traficante avisar que chegou a mercadoria na quebrada, e até pra candidato fazer a sua própria campanha politica. Parece incrível né? Não acredita? Então ouça os spots que a Rádio Bandeirantes colocou no ar em uma campanha contra essas rádios piratas.

Conheça Yael Naim

Pra quem gosta de música alternativa esta opção é duca! O nome dela é Yael Naim, nascida na França mas criada em Israel, a Yael faz um tipo de música bem diferente das que rolam por aí no mainstream. Numa mistura de inglês, francês e hebraico, ela consegue através de uns arranjos bem legais fazer uma trilha sonora excelente, pra quem por exemplo, pega um trânsito na marginal Tietê. Desde uma tradicional valsinha francesa, até um cover da Britney!!! Claro que só podia ser da música Toxic né! O trabalho segue uma linha bem tô-relax-e-não-adianta-que-você-não-vai-me-tirar-do-sério! Outra coisa legal é que a maioria das composições é da própria Yael.

Também me chamaram a atenção as fotos do encarte, de um puta bom gosto, claro que seguindo o mais puro estilo riponga! Digo riponga, porque tem música que começa com ela tocando uma caixinha de música por exemplo! Tá bom? Se curtir, ela tem mais outros 3 discos. Mesmo assim recomendo, vale a pena.

Mix in the Box – Mixando no computador.

A Expo Music é um lugar muito loko, tem de tudo, guitarra, baixo, cavaquinho, pandeiro, batera, os camisa preta do rock, a galera do jazz, os camisa colorida do rock tmbm :-) , em fim, é um lugar onde a diversidade fala alto!

Amanhã estarei lá no stand da revista falando sobre Mix in the Box, que nada mais é do que a mixagem feita no computador. A MITB como é conhecida, está se tornando uma frequente cada vez mais nos trabalhos mixados mundo a fora.

Como sempre existem aqueles que gostam e os que não gostam. Eu mixo desde mil novecentos e Don Pedro em consoles com outboards, e este ano comecei a me dedicar totalmente as MITB, confesso que no começo torci um pouco o nariz, mas hj em dia estou me divertindo e muito!

Algumas coisas que eu já sabia que ia gostar estão me fazendo curtir muito essa parada, como por exemplo a praticidade, flexibilidade, agilidade e felizmente o resultado! Estou muito contente com o resultado das mixes que venho fazendo MITB, meu, tá soando bem pra cacete!

Tem muito engenheiro de som trabalhando totalmente MITB, tanto no rap, onde o grave é uma necessidade, na dance music, onde o grave é necessidade tmbm, quanto no rock, onde o grave ultimamente também está sendo uma MEGA necessidade!

Confesso que não mixo 100% na máquina, eu uso uns gears que tenho da Chandler, como o Curve Bender e o Zener Limiter para darem um boost em algumas coisas, como over head de batera (onde o Zener é ANIMAL!!!), e se precisar baixo e guitarra tmbm. Sim, esses outboards são os mesmos que eu uso nas minhas masters!

Detalhe, eu nunca faço bounce, eu sempre mixo “pra fora” usando o meu conversor e volto por esse mesmo conversor “pra dentro”, claro que pra isso eu preciso de no mínimo quatro canais.

E será exatamente esse o assunto que estarei falando lá na feira, sobre essa visão que estou tendo das mixes no computador.

um abraço e até lá!

Os 50 shows de Michael Jackson

Caramba, eu assisti neste fim de semana o filme da turnê do Michael Jackson This is it. Eu nunca tive dúvida da competência e do talento do cara, mas sinceramente, what tha fuck? O cara estava presente o tempo todo envolvido em absolutamente tudo, cenografia, luzes, som, arranjos, filmagens, pirotecnia, tudo!

Esse show seria simplesmente o maior show visto até hoje, nem Madonna, nem U2, ninguém jamais teve um show como seria esse dessa turnê. Mais impressionante do que o filme são os extras, a produça seria monstro!

Só o telão de 10 por 30mt com filmes em 3D já seria uma porrada, como o diretor do show Kenny Ortega disse, esse show seria na verdade em 4D, por causa por exemplo dos fantasmas que passariam voando sobre as cabeças das pessoas em Thriller.

Filmar em 3D é caro pra caramba, e muitos dos filmes foram rodados dessa forma, fora os efeitos de computação gráfica, um show a parte. Os músicos, os dançarinos, a luz, o cenário, tudo seria uma porrada.

Nas entrevistas com o pessoal da produção e músicos, tem uma parte que chama atenção, o tecladista comenta que num determinado momento o MJ não tendo um lugar apropriado pra colocar a sua toalha no placo, vira pra ele e pergunta se ele permitiria que ele colocasse a toalha sobre o seu teclado, o cara respondeu, claro Michael, a casa é sua!

No segundo dia a mesma cena, e o MJ pergunta de novo se ele permitiria, claro que ele deixou novamente. Humilde pouco o cara né? O cara usava por favor, obrigado pra caramba. E tem artista aqui no Brasil que eu já presenciei, tratando roadie que nem cachorro! E olha que o cara não vendeu 1% do que o MJ, lamentável.

E o MJ foi embora sem ter feito um show, nem umzinho se quer dessa tour!

Que pena.

Entrevista com produtor musical Lampadinha, dono da Mixmastermusic, confira!

Lampadinha é um produtor musical dos mais requisitados no mercado nacional, já trabalhou com muita gente importante e hoje em dia é respeitado e procurado por artistas de diversos segmentos, pela qualidade de seu trabalho e sua visão profissional. Além de seu talento nato e habilidade única pra gravar, mixar e masterizar, ele atua também na área radiofônica e tem sua empresa de áudio, a Mixmastermusic. O blog Horizonte Vertical, tem a honra de trocar uma ideia com ele…

Perí– Como foi que você começou na produção musical?

Comecei a trabalhar com música em 1984 em uma empresa de sonorização no interior de São Paulo, lá aprendi a montar sistemas de PA para shows e eventos. Depois de um tempo, eu já estava fazendo shows com alguns artistas locais. Passado um tempo montei um estúdio com esse brother da empresa e comecei a gravar todo tipo de banda, de rock a forró, e como era só eu no estúdio sem assistente algum, as bandas que pintavam por lá eu ia montando e ajudando ao longo do processo de criação do então LP, ou seja, ia produzindo o trampo dos caras.

Perí- O que mais te encanta nesse trabalho?

A música em primeiro lugar. Eu sempre ouvi música, e muito, desde pequeno lembro que meu pai tinha um rádio Motorádio que abri e fiz umas gambiarras pra poder ligar umas caixas de um sistema 3 em 1 que minha vó tinha me dado. Deve ser do DNA mesmo, pois meu avô tocava violão e fazia toda a família tocar alguma coisa, tipo uma jam familiar, com maracas e vários outros intrumentos, então minha vó que já estava bem doente de cama, viu que eu queria muito um sistema de som e prometeu me dar um, mas desde que eu colocasse no quarto dela e ouvisse bem alto. O paraiso pra um menino de aproximadamente dez anos! Outra coisa que me encanta é poder participar do processo de criação de uma obra junto com o artista, de algo que não existe, isso é demais! Cada trabalho embora tenha uma metodologia meio parecida, como pré produzir, arranjar, gravar, mixar etc, é sempre único, e essa empolgação tanto do artista quanto minha é muito excitante, tipo criança na Disney saca? E depois de pronto você poder ver o artista já colhendo frutos com o trabalho que você ajudou a criar, e isso é muito gratificante, por exemplo o Hateen, que após o lançamento do novo CD já saiu fazendo shows pra caramba por aí. Outro exemplo foi uma menina guitarrista que produzi, chamada Lari Basílio, assim que acabamos o seu primeiro trabalho, ela já saiu fechando workshops e contratos de patrocínio com empresas como a Tagima por exemplo. Muito foda isso!

Perí- Quais trabalhos desenvolvidos nesse tempo você acha que mais te representam?

Putz, pergunta mega difícil! Todo trabalho tem uma dose muito forte de envolvimento e assim fica difícil escolher esse ou aquele, posso falar dos mais recentes que são os que estão mais próximos com relação a empolgação. Esse do Hateen que falei é um, pois os caras estavam há muito tempo sem fazer um trampo novo e estavam na maior febre de fazer um trampo no veneno. O da Lari Basílio, por ser o primeiro trabalho solo dela, é um trabalho instrumental o que não é muito comum, principalmente para uma mulher. A banda Audioclube que é uma banda de rock muito foda com umas puta letras, e uns caras que tocam muito. E o da Banda Tri, uma molecada do Rio Grande do Sul que acabamos de fazer o primeiro CD, esses caras são muito figura e muito talentosos também.

Perí– Você acha que a personalidade do artista pode ajudar ou atrapalhar na relação Produtor/Artista?

Os dois, o artista é a matéria prima, o começo e a base de tudo, um artista centrado, organizado, objetivo, faz total diferença, quanto mais pirado for mais trabalho dá, é um pouco mais difícil mas faz parte. Eu costumo dizer que se tivesse uma facul obrigatória pra qualquer um se tornar produtor, seria a de pisicologia :-) Claro que o ego do artista as vezes pode atrapalhar, mas quem não tem? Isso faz parte, é só uma questão de se ambientar, conhecer o artista, e aprender a lidar com ele, cada um cada um né? Uma coisa que eu gosto muito de fazer é conhecer o máximo possível do artista com quem eu vá trabalhar, antes de iniciar o processo de pré produção, eu gosto de poder sair, tomar umas, conversar sobre o trabalho, sobre a vida, sei lá, bater papo. Conhecer com quem você vai trabalhar, porque ai o relacionamento fica bem mais fácil e com mais base. Pra mim isso é mega importante, pois depois de você adquirir um relacionamento, seja ele em qual nível for, fica muito mais fácil de a gente conversar, opinar, mudar, discordar, enfim, conviver durante todo o processo de criação.

Lampadinha

Perí– Até que ponto o produtor pode transformar o artista em algo que ele não conseguiria ser “sozinho”?

Meu, o cara que cria as vezes não tem noção que algo que ele fez é sensacional, ou ruim, é difícil mesmo. Eu sempre tento dar esse norte, coisas que eu acho que são legais pra caramba, e coisas que acho que não são tão sensacionais como ele acha. Por exemplo, a estrofe da música A é boa mas o refrão nem tanto, e o refrão da música B sensacional, mas a estrofe fraca, porquê não tentar fazer um bem bolado então? Claro que eu tento direcionar de acordo com o que eu vivi, com o meu gosto pessoal, com a minha experiência, com o que aprendi com as pessoas que trabalhei ao longo dos quase trinta anos de estrada, mas se o artista não quiser alterar, não será alterado. Veja só eu penso assim, quando alguém entra em contato comigo, ele procura alguém que possa ajudar na criação do seu trabalho, acrescentando, dando idéias, sugestões, colocando o seu print no trabalho, ele não contrata um chefe que vai obrigar ele fazer tudo do jeito que o chefe quiser. Como eu já disse acima, eu sempre procuro manter um contato mais próximo com as bandas e artistas com os quais trabalho, e isso ajuda demais. Um exemplo disso foi o segundo disco da Fake Number que produzi, lembro que tinha uma música que não me agradava muito, que eu achava que não tinha muito a ver com o contexto do repertório todo. Só que quando eu disse que não curtia muito foi uma comoção geral na banda, todos amavam a música, diziam que no show ela arebentava e talz. Como eu poderia argumentar que essa música não entraria no repertório? Então não contestei, claro que entrou.

Perí– O Ego de um artista pode atrapalhar seu desempenho?

Se não for bem administrado, com certeza, mas nada que um bom bate papo, uma cerveja gelada e uma porção de batata frita não possam resolver :-)

Perí– A internet e os home-studios tem criado uma enorme gama de artistas que, sem a ajuda de um produtor profissional, acabam colocando seus trabalhos na rede. O que vc acha dessa situação e que futuro você vê pra isso?

Eu acho isso sensacional! Quando eu comecei a única forma de fazer algo de qualidade era indo pra um estúdio grande e pagando mó grana. Hoje, um cara com talento pode fazer coisas inacreditáveis em casa, inimagináveis na época! O mundo hoje é muito menor e muito rápido, tanto é que essa galera já percebeu que colocar o seu material na web sem a finalização feita por um produtor/engenheiro experiente causa uma grande diferença comparada aos outros trabalhos. Um bom equipamento ajuda, mas não resolve, um bom engenheiro faz mais que alguém sem experiência. Eu vejo isso claramente na cena indie, a galera grava em casa, num puta astral, num puta clima, consegue obter o melhor da vibe, mas depois passa pra alguém que possa jogar esse trabalho “lá pra cima”! Eu passo por isso todo dia, sempre que alguém quer que eu finalize o seu trabalho, eu penso assim, preciso surpreender esses caras, o que eu posso fazer pra que isso aconteça? E logo quando eu entrego a surpresa geralmente é grande, muitas vezes mais do que o esperado. E isso é extremamente gratificante.

Perí– Quais produtores, gringos ou nacionais, você citaria como influência pro seu trabalho? O que você valoriza em um produtor musical?

Putz, tem trocentos, e o que eu mais valorizo em um produtor é a maneira que ele interage com as bandas ou artistas, eu costumo dizer que existem vários tipos de produtores, além do que, o termo tem vários significados e estilos. Pra mim o produtor antes de tudo é um “gestor de projeto” com visão artística e musical, é ele que coordena o orçamento do projeto, escolhe a equipe, o estúdio em que serão feitos os ensaios, pré produção, gravação, mixagem e masterização e por ai vai. Claro que sempre em conjunto com o artista. Além de administrar eventuais conflitos que possam aparecer ao longo do caminho :-) Vou citar alguns estilos de produtores pra vocês terem uma idéia da minha visão: O Coordenador. Muitos produtores não tem qualquer conhecimento técnico ou musical. Rick Rubin é um exemplo clássico, ele não mixa, não grava, nem masteriza, não toca, ele foca apenas no artista, motiva as performances, treina e conduz os músicos pra produzirem o seu melhor, na web tem vários vídeos em que você pode conferir isso. O Músico. É o cara que na maioria das vezes foca mais em comentar, aconselhar sobre composição, arranjos e performances, do que opinar na parte técnica por exemplo ou coordenar o budget. O Engenheiro. Esta é provavelmente a idéia mais comum que a maioria das pessoas tem do produtor, que é aquele cara que fica debruçado sobre uma console. O estúdio é seu instrumento, e o produtor o utiliza trabalhando até tarde da noite para criar algo realmente inovador. O Artista. Alguns produtores assumem uma posição basicamente de artista, como por exemplo o Prince que assina modestamente seus trabalhos assim “Produzido, arranjado, composto e interpretado por Prince”.

Perí– O que você acha que o artista deve fazer pra conseguir atingir o mercado sem se vender ao sistema?

Primeiramente ser autêntico, ser ele mesmo, sem querer ser o Deve Grohl ou o Hetfield, a autenticidade é fundamental. Porque alguém vai se interessar por uma banda que é praticamente cover do Black Keys se já existe o original? Be your self porra!

Perí– O que você procura extrair de um artista quando vai trabalhar com ele?

A sua essência, sem a menor dúvida. Não é possível e nem existe uma máquina que transforme uma banda de rock em uma boy band. Isso não funciona, não há como dar certo.

Perí– O que você acha do cenário da música nacional atual?

O que mais me agrada é a abrangência que o rádio ainda tem pelo país. Com relação ao cenário musical, depende do estilo. O trabalho nas rádios, com relação aos artistas de rock, está bem difícil, pois o dance está dominando. No caso de um artista sertanejo a situação é bem diferente, não que seja fácil, mas é bem mais maleável.

Perí– Como tem sido o seu trabalho junto às rádios? O que mais te agrada nesse setor?

O cenário atual é Dance Music 10 x Rock 2, a música nacional está perdendo para os artistas gringos de dance music. O Rádio em São Paulo é a base pra muitas rádios pelo país e hoje ele é totalmente dominado por artistas de dance music. Até os que não eram, hoje são, como Neyo e Chris Brown, que eram R&B e hoje só faltam virar DJs. Note que esse cenário é somente em São Paulo e não no resto do país, onde o cenário é bem diferente. Isso é ruim até mesmo para as rádios, veja bem, se a rádio toca o dia todo, Lady Gaga, Beyonce, Ke$$ha, Rihana, e uma ou outra vez um artista nacional, como ela vai fazer para organizar um projeto verão na praia com bandas que elas não tocam na programação? Ou a cada final de semana terá um show de uma dessas artistas da dance music que citei acima? Claro que não né! É um FAIL total, se você não toca, o seu público não conhece, se ninguém conhece, ninguém vai ao evento! E de que maneira o departamento comercial vai conseguir vender um evento desse? E o caixa da rádio como fica? Passou da hora das rádios repensarem esse approach. No resto do país o estilo predominante é o sertanejo Universitário e ponto final. Até o sul do país onde sertanejo não entrava nem a pau e a música regional reinava soberana, hoje foi invadido por Michel Teló e seus clones. O Rock que reinou há um tempo atrás está atualmente em uma situação menos privilegiada. Mas como já é conhecido da história, esse cenário é cíclico e muda sempre, leve o tempo que levar. Ou alguém aí lembra que a Jovem Pan já chegou tocar Joana e Fagner?

Perí– Deixe seu recado, link, indique algum artista que vc goste e escreva o que vc quiser. O espaço aqui é seu!

Opa! Valeu! Hoje finalizo todos os meus trabalhos em um Project Studio que montei em casa no Bairro da Granja Viana na grande São Paulo, mais precisamente em Jandira, próximo a Cotia. É um lugar super calmo e bem legal com relação a clima e talz, os Projects Studios são uma tendência mundial com os produtores e engenheiros de som atualmente. Com isso, eles conseguem viabilizar projetos que antes se tornavar muito caros, mas que hoje podem ser realizados em seus estúdios e com o seu “flavour”, e o mais legal, com equipos que eles gostam e costumam usar pra dar o seu print final nos trabalhos. Hoje trabalho de uma forma que sempre me agradou, que é trabalhar por projetos e por músicas, não trabalho baseado em horas de estúdio. Esse é um estilo de trabalho que sempre me incomodou, pois você sempre fica incomodado ou incomodando o artista. O que acontece trabalhando assim, pelo menos pra mim: O cenário é sempre esse, se você termina rápido uma mix por exemplo, dá sempre a impressão que você quer tirar o trabalho da frente, pra logo fazer outro. Ou se você leva tempo demais, dá a impressão que você pode estar enrolando para ganhar mais em horas de estúdio. Isso eu sempre achei muito chato, hoje trabalho diferente e o resultado é incomparável pra mim. As mixes e masters que faço hoje são totalmente via web, já as produções, como já disse, gosto de acompanhar bem de perto. E pra isso, quando a banda não é e não vem pra São Paulo, eu vou até eles, o que é bem legal também!

Playlist: Saudade

Saudade de velhos amigos, da família, de casa. Saudade de um tempo
muito bom que passou e não volta nunca mais. Saudade de um amor que se
perdeu, saudade de alguém especial que está longe… O tema do
#PlaylistTuesday dessa semana é isso: saudade!

Nossa playlist tem artistas como Silverchair, Blink 182, Plain White
T’s, The Killers, The Beatles e mais um monte de coisa boa pra embalar
essa sensação boa-mas-ruim no peito!

Aperta o play!

Playlist: Músicas para Relaxar

Coé, pessoal!
Pra começar a semana bem, escolhemos algumas músicas para relaxar.
Depois daquele dia cansativo no trabalho ou de estudos, nada como tirar
um tempo para ouvir uma música, ler, dançar, jogar video-game, trocar
idéia com os amigos ou só deitar na cama e descansar!

Embalando a
playlist, temos artistas como Bruno Mars, Lana Del Rey, John Mayer,
Jason Mraz, Daft Punk e mais uma porção de gente maneira.

Solta o som, macaco!

Playlist: Balada

O #PlaylistTuesday dessa semana vem com um monte de música pra você se preparar para a balada do feriado!

De Macklemore, Skrillex, The Killers, passando por Icona Pop, P!nk,
Nicki Minaj, até o já arroz de festa, Psy. Tem para todos os estilos e
gostos, então vem!

Aperta o play e já vai se arrumando pra festa:

Playlist: Anos 90

Mais uma terça-feira chega, e com ela, uma edição nova do #PlaylistTuesday!

Essa semana, fizemos um mix só com músicas dos anos 90. Tem dos
clássicos pop ao rock, com Britney Spears, Destiny’s Child, Oasis,
Nirvana e mais um moooonte de bandas e artistas que reinaram na época e
gravaram algumas das músicas mais legais e que mais marcaram a década.

Bora voltar 20 anos no tempo apertando o play?

Curtiu? Também tem sugestões? Deixe nos comentários! 😀

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